Confira!

[Crítica] Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância)

Uma Aula de Como se Fazer Cinema.

0a96a-bird Talvez nas mãos de um diretor menos ousado, Birdman poderia ter sido chato e previsível, mas com Alejandro Gonzáles Iñárritu o filme ganha uma genialidade que poucos diretores alcançam atualmente. O falso plano-sequência que tanto se falou deixa um tom bem ágil, e faz parecer que estamos assistindo a uma peça de teatro na sala do cinema. Com tantos detalhes, o filme se torna grandioso de várias formas, nos leva para um mundo cheio de metáforas, onde cada um tira a sua própria interpretação. No dia 22 de Fevereiro o filme foi agraciado com quatro estatuetas da academia, isso fez com que muitas pessoas se perguntassem o do por quê, digo isso pois quando a sessão se encerrou alguns estavam se perguntando, “É esse filme que ganhou o Oscar?!” Eu até compreendo que o filme é complicado, que suas formas não “tradicionais” de conduzir o expectador no mundo cheio de enigmas que o roteiro nos leva faz o filme parecer maçante, mas acredito que nas categorias em que ele foi vencedor, não tenha sido nada mais do que justo. Ao começar pela fotografia, Emanuel Lubzeski (que faturou a estatueta ano passado por Gravidade), traz uma fotografia magistral e delirante e principalmente incontestável nesse filme que ele chamou de o trabalho mais difícil de sua carreira. Vencedor também na categoria de Roteiro Original, escrito por Inãrritu em parceria com Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. e Armando Bo. O filme tem um de seus trunfos justamente no seu roteiro excepcional, que como eu disse mais acima, nas mãos de outro diretor poderia ter sido apenas uma obra sobre um astro de Hollywood que tenta se provar como grande ator na Broadway, mas a inteligência de seu roteiro nos faz refletir mais afundo sobre essa história. A outra categoria que o filme também foi agraciado foi na de Melhor Diretor, e convenhamos, foi super merecido. Apesar de Richard Linklater ter feito algo único, o seu Boyhood se prendeu mais no fato de ter sido filmado por 12 anos, já Birdman nos traz uma direção totalmente inspirada que faz com que cada cena seja uma descoberta arrebatadora sobre a vida daqueles personagens. Em uma das cenas que eu mais gostei, ele coloca a câmera um pouco acima de Emma Stone, e tira dela uma atuação sensacional que sem dúvida foi a que lhe deu a sua indicação de Melhor Atriz Coadjuvante, e não só dela, todo o elenco está afiadíssimo, principalmente Michael Keaton, que pra mim foi a única injustiça da noite o ator não ter levado a estatueta. Com um roteiro maravilhoso, fotografia primorosa, direção inspiradora e atuações incontestáveis, nada mais certo que o filme levasse a principal estatueta da noite. Por Rodrigo Slater

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