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[Especial] Travesti da transexual Transilvânia completa 40 anos

(FOTO: O ATOR TIM CURRY INTERPRETA O DR. FRANK-N.-FURTER, UM DOCE TRAVESTI DA TRANSILVÂNIA/ DIVULGAÇÃO)

(FOTO: O ATOR TIM CURRY INTERPRETA O DR. FRANK-N.-FURTER, UM DOCE TRAVESTI DA TRANSILVÂNIA/ DIVULGAÇÃO)

A mistura de terror, comédia e ficção científica em The Rocky Horror Picture Show alçou o ator Tim Curry ao posto de travesti da transexual Transilvânia mais famoso da história. O filme, inspirado em um músical da Broadway, foi um fracasso nas bilheterias, mas virou um clássico cult quando começou a ser exibido nas sessões da meia noite dos cinemas. Completando 40 anos, a história do casal que vai parar em um castelo mal assombrado, com a turma do Dr. Frank-N-Furter (foto), ainda é exibido em várias sessões ao redor do mundo. Além das sessões comemorativas, um cinema em Munique exibe a fita toda semana desde 1977. Não é a toa que o musical detém o título de filme que está em cartaz por mais tempo.

Para entender o fenômeno, GALILEU conversou com cineasta Marcio Paes, que, além de vencer o Festival de Paulínia, em 2009, com o documentário Só Dez Por Cento é Mentira, ministra o workshop Sanguecine, que reúne apaixonados pelo cinema de terror, no Rio de Janeiro.

Por que o musical fez tanto sucesso?
O grande diferencial de The Rocky Horror Picture Show foi ter conquistado a interação da plateia, que cantava as músicas junto e jogava objetos na direção da tela, como uma brincadeira. Foi quando deixou de ser simplesmente um filme e se tornou um fenômeno cultural.

Quais filmes se assemelham à proposta de The Rocky Horror Picture Show?
Rocky Horror é um terror singular. Era exibido nas sessões da meia noite, que existiam desde a década de 1960. Sua história e trajetória dificilmente serão reproduzidas, mas, se pudesse apostar em algo com o mesmo potencial para conquistar o nível de transgressão e rebeldia do musical, eu diria Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (1975). Tem também A Pequena Loja dos Horrores (1986), que, assim como Rocky Horror, é a refilmagem de um espetáculo da Broadway. E, mais recentemente, temos Repo! The Genetic Opera (2008), uma tentativa deliberada de criar outro cult movie, o “Rocky Horror dos anos 2000”.

Outros bons exemplos seriam Hairspray (1978), dirigido por John Waters, O Fantasma do Paraíso (1974), do Brian De Palma, e Hedwig: Rock, Amor e Traição (2001), do John Cameron Mitchell. Esses alcançam tanto o espírito quanto as maneiras de Rocky Horror. Fazem parte daquela categoria de filmes que, quando surgiu a ideia, não se sabia exatamente o que seria deles.

Quais diferenças se destacam na construção de um longa metragem de terror?
O cinema que engloba, além de terror, gêneros como suspense e ficção científica, tem uma linguagem cinematográfica muito própria e peculiar. Costumo dizer que o filme de terror é aquele que mais depende de todos os elementos do cinema: roteiro, atuação, trilha sonora, fotografia e direção. Tudo isso precisa estar em harmonia para atingir a plateia emocionalmente. Se uma música for ruim ou tiver sido mal inserida na cena, a narrativa não vai funcionar; a direção pouco sintonizada forma uma história incapaz de prender a atenção; a atuação ruim é aturável só até certo ponto, porque sem acreditar no personagem fica impossível se envolver nas situações vividas por ele; e a fotografia descuidada, seja por falta de dinheiro ou habilidade, também acaba imediatamente com a qualidade visual do longa metragem.

E como você definiria o cenário do cinema de terror nacional?
Ele quase não existe e é feito basicamente por pessoas apaixonadas, como normalmente acontece no cinema de gênero. A indústria cinematográfica no Brasil – que na verdade não chega a ser uma indústria de fato – ainda não se arriscou a compor uma obra de horror. Temos algumas poucas tentativas recentes que não assumem o terror em si, como Trabalhar Cansa (2011) ou Quando Eu Era Vivo (2014), com a Sandy e o Antônio Fagundes.

Uma das iniciativas do Sanguecine [workshop sobre cinema de terror, organizado no Rio de Janeiro] é incentivar a redescoberta de boas produções do cinema de gênero brasileiro. No caso de Rocky Horror, o Areias Escaldantes (1985), do Francisco de Paula, é uma ótima comparação, porque também mistura comédia e ficção científica dentro de um musical.

Reprodução Revista GALILEU

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Sobre Bruno Vieira (760 artigos)
Estudante de Comunicação Social – Publicidade, tem 27 anos e adoraria se lembrar do primeiro filme que viu em sua vida, mas o que passa em sua mente são flashs de sessões da tarde, com muitas aventuras, romances e filmes de terror da década de 80 e 90. Aprendeu a amar e se emocionar ( e tem prazer em chorar ) com o gênero drama. Gosta de comédia e ação e adora musicais e fantasia. Outro amor são as animações, filmes de heróis e tudo aquilo que faça qualquer um viajar com o poder da imaginação. Se identifica muito com o personagem Woody (Toy Story) pelo o quanto ele valoriza e faz pelas amizades. Um herói? Claro… O Homem-Aranha.

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