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[Confira!] Amizade com os dias contados em “Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer”

Olivia, Mann e Cyler: humor ácido e ausência de amor romântico em produção que foge das fórmulas dos filmes para adolescentes

Olivia, Mann e Cyler: humor ácido e ausência de amor romântico em produção que foge das fórmulas dos filmes para adolescentes

O enredo parece similar ao do sucesso adolescente “A Culpa É das Estrelas”. Há a doença fatal, os adolescentes em dor, a vida adulta se aproximando a passos largos. Mas há uma diferença crucial: em “Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer”, uma das atrações mais esperadas do Festival do Rio, que começa hoje, não há relação romântica entre os protagonistas do filme. Baseado no livro de mesmo nome do americano Jesse Andrews (lançado no Brasil pela Rocco), o filme foi um sucessos no Festival de Sundance e entra em cartaz nos cinemas brasileiros no dia 29.

A ação se dá quando o nerd Greg, vivido pelo ator Thomas Mann, é forçado pela mãe a fazer companhia à colega de classe Rachel (papel da inglesa Olivia Cooke), diagnosticada com leucemia. O humor ácido, as locações em Pittsburgh, no meio-oeste americano, o uso de animação e a apresentação de deliciosos filmes amadores criados pela dupla Greg e Earl (vivido por outra revelação, o jovem ator RJ Cyler) chamaram a atenção do público e dos estúdios de Hollywood, que se engajaram em um verdadeiro leilão para distribuir a produção dirigida pelo texano Alfonso Gomez-Rejon, celebrado por suas parcerias com Ryan Murphy nas séries televisivas “Glee” e “American Horror Story”.

“Greg e Rachel acabam desenvolvendo uma relação amorosa, mas para mim era importante que eles não estivessem apaixonados, que não houvesse amor romântico. Você vê esse tipo de relação em todos os filmes adolescentes à sua volta, é uma fórmula que passa pelas dificuldades enfrentadas pela dupla e o fim quase sempre feliz. Não era a história que estava interessado em escrever”, diz Andrews, que, além do livro, assina o roteiro do filme.

As duas influências mais óbvias de Gomez-Rejon em “Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer” dizem muito da ambição do projeto da adaptação de um livro celebrado por jovens nos EUA, vencedor de uma série de prêmios, incluindo o da prestigiosa Young Adult Library Services Association. São elas Wes Anderson e François Truffaut (1932-1984), conta o diretor.

Anderson está presente na estranheza crua dos diálogos, na divisão do filme em “capítulos” e no modo artesanal e intimista optado pelo diretor texano na hora de compor o filme. A casa de Rachel, ponto de encontro principal do trio no filme, é, por exemplo, a mesma onde Andrews cresceu, na vida real, em Pittsburgh. Por outro lado, “Os Incompreendidos”, o primeiro longa comercial de Truffaut, de 1959, aparece em dois clipes e com trechos de sua icônica trilha sonora no filme de Gomez-Rejon.

Os momentos mais doces dessa produção são, muito provavelmente, os filmes – e pôsteres – caseiros feitos por Earl e Greg inspirados nas produções dos grandes mestres. E na decisão da dupla de filmar algo exclusivamente para Rachel. Há Wim Wenders, Martin Scorsese, Hayao Miyazaki e muitos, muitos outros. Scorsese, conta o diretor, já viu e se emocionou com as muitas citações a seu trabalho no filme. Thelma Schoonmaker, a editora-mor dos filmes de Scorsese, é a “screensaver” do computador de Greg. Na mesa do cineasta amador se veem dois roteiros, o de “Cassino”, de Nicholas Pileggi (direção de Scorsese) e o de “A Difícil Arte de Amar” (Mike Nichols), de Nora Ephron.

“Quando comecei a produzir os filmes amadores dos meninos, não quis mais sair daquele processo. Ali, sim, pensava e sentia, tinha liberdade total, já que quanto maior o orçamento, menor o controle artístico sobre o que se cria. Eles me remeteram à sensação que tinha quando fazia filmes na escola. Tudo o que quis foi tornar o nosso set uma extensão daquela experiência, o mais intimista possível”, diz Gomez-Rejon, que decidiu se tornar um cineasta depois de ver “Os Incompreendidos”.

Para os fãs do livro, uma atração a mais no filme, curiosamente, foi uma dedicação maior a personagens como Rachel e Earl, que ganham mais complexidade, como atesta o próprio roteirista-escritor: “Quando comecei a escrever o roteiro vi que, nesse caso, teria uma oportunidade para investir mais nos outros personagens. Propositadamente, Greg, o narrador, ainda não aprendeu, no começo do livro, a prestar atenção nos outros, em quem o circunda. Esse é, no fim, o mote da minha história: em como nos transformamos, nos tornamos adultos de fato, quando conseguimos parar para ouvir, para tentar compreender, os outros. No livro, estamos presos à sua voz, ao seu interior. No filme, isso não funcionaria. Então tentei fazer da Rachel, do Earl personagens que se bastam por si só também”, conta.

Matéria do Jornal Valor Econômico

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Sobre Bruno Vieira (760 artigos)
Estudante de Comunicação Social – Publicidade, tem 27 anos e adoraria se lembrar do primeiro filme que viu em sua vida, mas o que passa em sua mente são flashs de sessões da tarde, com muitas aventuras, romances e filmes de terror da década de 80 e 90. Aprendeu a amar e se emocionar ( e tem prazer em chorar ) com o gênero drama. Gosta de comédia e ação e adora musicais e fantasia. Outro amor são as animações, filmes de heróis e tudo aquilo que faça qualquer um viajar com o poder da imaginação. Se identifica muito com o personagem Woody (Toy Story) pelo o quanto ele valoriza e faz pelas amizades. Um herói? Claro… O Homem-Aranha.

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