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[Matéria] ‘Deadpool’ estreia com orçamento considerado baixo em Hollywood

Deadpool-orçamento

Ô, maluco, está escrevendo sobre mim com a permissão de quem?” É assim, de acordo com o protagonista Ryan Reynolds, que o personagem-título de “Deadpool” reagiria a esta reportagem. Falastrão, obsceno, sádico e provocador, o anti-herói criado nos anos 1990 se tornou rapidamente um dos mais queridos pelos fãs do universo da Marvel Comics, menos por ter a wolverínica capacidade de se recuperar de bate-pronto dos mais graves ferimentos e mais por um de seus principais cacoetes, o de quebrar a quarta parede.

Wade Wilson, como aparece no registro civil antes da mutação que o transformou em Deadpool, conversa o tempo todo com o leitor e tem a consciência de estar preso às páginas do gibi. Pois, no filme que estreia nesta quinta-feira, Reynolds não só bate papos com o espectador como dispara sua metralhadora de cinismo contra os próprios filmes de super-herói, a indústria cultural americana e o universo pop.

— Para mim é importante que o público entenda o tom do filme. Deadpool não é um super-herói. Ele, aliás, detesta o que os super-heróis, seus colegas de quadrinhos, representam, e não esconde isso de ninguém — diz Reynolds, 39 anos, cuja primeira encarnação do personagem se deu há oito anos, no set de “X-Men origens: Wolverine”.

Os palavrões, as cenas de sexo e nudismo, a violência gratuita e a aversão a qualquer padrão ético de conduta dificultaram o desejo de Reynolds de ver seu personagem favorito no cinema. Dois anos depois da primeira aparição, de raspão, no filme do Wolverine de Hugh Jackman, o ator canadense viveu um super-herói clássico, o Lanterna Verde, em uma megaprodução de US$ 200 milhões pensada para deslanchar mais uma franquia do gênero. Bilheteria e crítica não foram das mais favoráveis, e sua melhor lembrança do filme é, disparado, a parceria com a mocinha da história, Blake Lively, sua atual mulher, com quem tem uma filha de um ano e dois meses. A anterior, a também loira, bela e atriz Scarlett Johansson, vive a Viúva Negra da franquia “Os Vingadores”.
“Deadpool”, no entanto, não poderia ser mais diferente de “Lanterna Verde”, mote de uma das piadas mais ácidas do filme, que só saiu do papel depois do vazamento de um teste de elenco na internet. Os fãs reagiram com tamanha empolgação que a Fox resolveu apostar em uma produção barata para os moldes de Hollywood — com orçamento estimado em US$ 50 milhões —, decidida a não transformar o gauche irrecuperável em um bom moço. Reynolds brinca dizendo que o filme, dirigido pelo estreante em longas Tim Miller, com a brasileira Morena Baccarin no papel de Vanessa Carlysle — a ex-prostituta por quem Deadpool se apaixona —, “foi financiado pelos fãs, mas em uma espécie de campanha de fundos cujo único doador foi a Fox”. A decisão de não transformar o personagem em um sujeito apresentável acabou custando ao estúdio um dos mercados internacionais mais desejados por Hollywood: o filme foi vetado pela censura chinesa.

— “Deadpool” é uma história de origem, mas muito mais escrachada do que todas as que você já viu anteriormente. Não é exatamente igual à da HQ, tomamos algumas liberdades, mas nos mantivemos fiéis ao espírito do personagem, fazendo sim um filme de e para adultos — afirma o ator.

Ex-agente especial transformado em mercenário, contratado para resolver as mais intrincadas pendengas, quase sempre com muita violência, Wilson descobre que tem um câncer incurável logo depois de se apaixonar por Vanessa. Desesperado, se submete a um experimento secreto que derrotará o câncer com a mutação genética, à custa da destruição de seu rosto de menino. Com a máscara e o uniforme vermelho de um hilário anti-Homem-Aranha e munido de suas duas espadas japonesas — batizadas de Bea e Arthur, em homenagem à falecida atriz da série “As super gatas” —, Deadpool busca vingança contra os responsáveis por sua transformação forçada e acaba encontrando no caminho super-heróis de verdade, como o Colossus dos X-Men, apresentado no filme como um digníssimo “mala sem alça”.

— Pela primeira vez sinto que falo diretamente com os fãs dos quadrinhos. Com quem de fato se identifica com a atitude não conformista e niilista do personagem. Trabalhamos com um roteiro com início, meio e fim, durante seis anos a fio, e não, como acontece amiúde em filmes de super-heróis, um pôster, uma data de estreia em algum feriado internacional e um esboço beeeem vago do que fazer com o personagem — ironiza Deadpool, ou melhor, Reynolds.

“Deadpool” foi filmado quase totalmente na Vancouver natal de Reynolds e, por conta do orçamento apertado, só um personagem, o Colossus — com voz de Stefan Kapicic e expressões de Greg LaSalle —, foi criado digitalmente. O uso da tela verde também foi minimizado. Para as cenas de ação mais complexas, Reynolds contou com um par de dublês “capaz de desafiar a gravidade”, mas o diretor Tim Miller bateu na tecla do “quanto mais intimista e realista melhor”:

— Traduza isso para “me esborrachei bastante”. E, acredite, cair em cenas de luta não é mais tão divertido depois dos 35 anos. Mas, é claro, essa decisão estética ajudou muito na hora da edição e deu uma dinâmica específica para o filme.

Um dos desejos dos fãs é que os destinos de Deadpool e Wolverine, como nos gibis, voltem a se encontrar. Mas, como Hugh Jackman, 47 anos, já avisou que está pronto para aposentar suas garras em um futuro próximo, a expectativa do reencontro dos dois e até mesmo de uma sequência de “Deadpool” ainda está no terreno da possibilidade.
— Não sou um especialista, e, a bem da verdade, não vejo todos os filmes de super-herói, mas me parece claro que chegaremos a um momento de saturação do gênero. O último que vi, “Capitão América 2: O Soldado Invernal”, me cativou justamente por ser um thriller político disfarçado de filme de super-herói — diz Reynolds.

Pois o diferencial mais marcante de “Deadpool”, para o ator, são os comentários ácidos do personagem com seus cúmplices, do lado de cá da tela:

— Gosto muito de fazer personagens de fato originais, diferentes da expectativa que temos. Foi assim em “Enterrado vivo” (2010), um filme que todos diziam ser impossível de se fazer. A mesma coisa com “As vozes” (2014), quando interpretei um psicopata, assassino e, ao mesmo tempo, um sujeito agradabilíssimo. E o Deadpool tem essa coisa de dialogar com o público. Eu passei a olhar para a câmera e imaginar que do outro lado estava um amigo meu bem íntimo. Perceba que algumas vezes eu chego a levantar a máscara dele até perto dos meus olhos. É que quis aumentar a sensação de que a audiência vira, ali, de fato, um comparsa do Deadpool, uma sensação que nunca havia levado antes para o cinema.

 

 

 

Reprodução Site O Globo

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Sobre Bruno Vieira (760 artigos)
Estudante de Comunicação Social – Publicidade, tem 27 anos e adoraria se lembrar do primeiro filme que viu em sua vida, mas o que passa em sua mente são flashs de sessões da tarde, com muitas aventuras, romances e filmes de terror da década de 80 e 90. Aprendeu a amar e se emocionar ( e tem prazer em chorar ) com o gênero drama. Gosta de comédia e ação e adora musicais e fantasia. Outro amor são as animações, filmes de heróis e tudo aquilo que faça qualquer um viajar com o poder da imaginação. Se identifica muito com o personagem Woody (Toy Story) pelo o quanto ele valoriza e faz pelas amizades. Um herói? Claro… O Homem-Aranha.

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