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[Estreia] ‘Rua Cloverfield 10’, produzido por J. J. Abrams, estreia hoje no Brasil após colecionar elogios nos EUA

10 CLOVERFIELD LANE

John Goodman as Henry; Mary Elizabeth Winstead as Michelle in 10 CLOVERFIELD LANE; by Paramount

O termo quem cunhou foi o produtor-executivo J. J. Abrams. “Rua Cloverfield 10”, que estreia nos cinemas brasileiros hoje, é um “parente próximo” de “Cloverfield: monstro”. Este último, igualmente produzido por Abrams e sua Bad Robot, foi o responsável, há oito anos, com sua câmera trêmula e narrativa inusitada, pela reinvenção do cinema de horror. Pois a segunda encarnação de “Cloverfield”, cujos dois primeiros atos se passam em um bunker, ocupado exclusivamente pelos misteriosos personagens de John Goodman, Mary Elizabeth Winstead e John Gallagher Jr., só recebeu título definitivo no meio das filmagens. Os atores nem sequer imaginavam o parentesco.

Responsável pela ressurreição de “Star Wars” no ano passado, Abrams pensou o thriller de suspense, cuja direção entregou ao estreante em longas Dan Trachtenberg, como um segundo capítulo de uma antologia mais ou menos conexa de histórias inusitadas, “assim como se a gente quisesse levar ‘ Além da imaginação’ para o cinema”.
— Dan e J. J. batizaram o filme desse modo porque ele remete ao estranhamento de “Cloverfield”. Mas preciso fazer uma confissão: nem vi o primeiro filme, teria de correr em casa para traduzir com precisão essa ideia deles de algo que não é uma sequência, e no entanto está intimamente relacionado com a outra história — diz Goodman, um dos trunfos de um dos títulos mais bem- recebidos pela crítica americana neste ano, com aprovação de 90% da grande imprensa em língua inglesa, de acordo com o site agregador de resenhas Rotten Tomatoes ( e considerado pelo “New York Times” uma “master class em ritmo narrativo”).

“Rua Cloverfield 10”, que bebe consideravelmente do medo existente de ataques terroristas em escala ainda maior do que os observados recentemente na Europa e nos EUA, é tanto uma bela jogada de marketing de Hollywood quanto uma proposta de franquia de fato inovadora. Elencos e tramas dos dois longas não poderiam ser mais díspares um do outro e, no entanto, fãs reencontrarão, especialmente na terceira parte da história, o mix de “Godzilla” e “A bruxa de Blair” característico da produção de 2008.
A nova trama, cujo roteiro foi desenvolvido por Abrams e três colaboradores, entre eles Damien Chazelle ( diretor do sucesso indie “Whiplash: em busca da perfeição”), começa com o terrível acidente de carro de Michelle ( Mary Elizabeth, presente em quase todas as cenas do filme). Logo descobre- se que ela foi resgatada por Howard, o personagem de Goodman. Ele vive em uma espécie de abrigo nuclear e jura que o mundo lá fora, como o conhecíamos, acabou de vez. Há ainda um terceiro habitante no bunker, vivido por John Gallagher Jr., conhecido como o romântico jornalista Jim Harper da série “The newsroom”. Seu Emmett pode ser um cúmplice de Howard, um outro sobrevivente de um possível Holocausto ou uma vítima do ex- militar vivido por Goodman.

SACADAS POR VIDEOCONFERÊNCIA

A fim de valorizar a tensão crescente e as viradas radicais da trama, “Rua Cloverfield 10” foi filmada cronologicamente e quase exclusivamente em um mesmo cenário. Enquanto Trachtenberg criava cenas como a tensa discussão entre os três personagens na mesa de jantar, com alta carga dramática, em um filme cujo orçamento estimado é ainda menor do que os US$ 25 milhões do “Cloverfield” original, Abrams viajava pelo mundo nos sets milionários de “Star Wars: o despertar da Força”.
— Conversamos por meio de videoconferências, e ele me mandava e- mails detalhados o tempo todo com sacadas importantes. Foi dele a ideia de convidar o John ( Goodman), que é quem dá o tom do filme, é um ator ao mesmo tempo assustador e engraçadíssimo — conta o diretor.

Howard tem tiques paranoicos, mas em determinados momentos parece estar genuinamente querendo proteger os muito mais jovens Michelle e Emmett. As imagens do mundo lá em cima são, afinal, apocalípticas.
— Howard acredita em uma verdade que está em sua cabeça. E inspiração não me faltou, afinal, paranoia e medo são temas constantes nos EUA. Egomaníacos com complexo de inferioridade estão à solta aqui — diz Goodman.
“Rua Cloverfield 10” não é apenas mais um mergulho de Hollywood em um universo distópico com paralelos políticos e sociais estabelecidos com a sociedade ocidental contemporânea. O mix de suspense com ficção científica pop e mais intelectualizada é resultado das influências centrais de Trachtenberg: a já citada “Além da imaginação”; “Interlúdio” ( 1946), de Alfred Hitchcock; a adaptação do thriller de Tom Clancy “Caçada ao outubro vermelho” ( 1990); “Maré vermelha” ( 1995), de Tony Scott; e, por fim, mas não por último, “Jornada nas estrelas” ( 2009), de Abrams.
— O bunker é o quarto personagem da história. Não é um refúgio cinzento, é como se estivéssemos em um submarino ou uma nave espacial. Quis ser tão claustrofóbico quanto grandioso, pois o cenário era, até pouco tempo atrás, uma casa de verdade, cujos detalhes vão dando pistas sobre quem é, de fato, Howard — diz o diretor.
A audiência vê Howard, inevitavelmente, com os olhos de Michelle. Somente ela parece ter a disposição física e psicológica para enfrentar a verdade do lado de fora do refúgio. Trachtenberg conta que a personagem foi inspirada no universo do videogame, uma de suas paixões. É como se o público tivesse de vencer a cada par de minutos os obstáculos de novas fases de um jogo, com regras propositadamente desconhecidas.

— É ela quem pergunta a questão central do filme: onde é mais seguro, dentro de casa ou lá fora, no mundão? E investigamos, é claro, o que um “monstro”, de fato, é. O monstro que está dentro de nós pode ser tão assustador quanto o que estava lá fora no primeiro “Cloverfield”. Essa história, para Michelle, é, de certa maneira, um teste de fé em si mesma — diz Mary Elizabeth.
A personagem deixa Nova Orleans em desespero no começo do filme, após uma discussão com um certo Ben, de quem apenas se ouve a voz, do galã Bradley Cooper.

— Quem sabe essa história ainda vai crescer no futuro? — continua Mary Elizabeth: — A história de Michelle, quem ela é, para onde vai, tudo saiu da cabeça do J. J. Embora haja surpresa com efeitos especiais no fim, este é um “Cloverfield” preso no subsolo, um filme de monstro em escala humana, mais psicológico.

Cloverfield é, na produção original, o nome dado pelo governo americano ao vídeo encontrado “na área anteriormente conhecida como Central Park”, em uma Manhattan sob ataque de um monstro. O endereço da casa de Howard está no título do segundo filme. E, curiosamente, no mundo real, Cloverfield é, também, o antigo nome do aeroporto de Santa Monica, na Califórnia, que batiza a saída da rodovia 10, caminho obrigatório para se chegar à sede da Bad Robot.
— Coisas de J. J., que criou uma franquia toda dele, bem diferente de “Jornadas”, “Guerras” e filmes de super- heróis, em que o único traço comum é o tom das histórias — observa Trachtenberg.

Reprodução Jornal O Globo

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Sobre Bruno Vieira (761 artigos)
Estudante de Comunicação Social – Publicidade, tem 27 anos e adoraria se lembrar do primeiro filme que viu em sua vida, mas o que passa em sua mente são flashs de sessões da tarde, com muitas aventuras, romances e filmes de terror da década de 80 e 90. Aprendeu a amar e se emocionar ( e tem prazer em chorar ) com o gênero drama. Gosta de comédia e ação e adora musicais e fantasia. Outro amor são as animações, filmes de heróis e tudo aquilo que faça qualquer um viajar com o poder da imaginação. Se identifica muito com o personagem Woody (Toy Story) pelo o quanto ele valoriza e faz pelas amizades. Um herói? Claro… O Homem-Aranha.

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