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[Confira!] ‘Em nome da lei’ traz Mateus Solano no papel de juiz impetuoso

O enredo lembra os clássicos faroestes de John Ford, Anthony Mann, John Sturges e Howard Hawks. O forasteiro destemido chega à cidade para assumir o posto de xerife e acabar com a bandidagem e a corrupção, além de libertar o povo ordeiro e trabalhador da opressão. Transportado para a atualidade, “Em nome da lei” conta a história de um jovem e voluntarioso juiz que chega a uma cidade na fronteira do Brasil com o Paraguai para assumir um alto posto na Justiça e, em seguida, inicia uma guerra contra o chefe do contrabando e do tráfico. No novo filme de Sergio Rezende, no entanto, a narrativa clássica do mocinho e do bandido ganha outros contornos.

O longa, em cartaz desde quinta, traz Mateus Solano no papel do protagonista, o juiz Vitor. Antes mesmo de se ambientar ao novo lugar e sua gente, ele se atualiza com o Ministério Público e a Polícia Federal sobre os principais problemas locais. Sem pestanejar, começa a desengavetar ações e processos contra alguns poderosos, a despeito do alerta de promotores e policiais que o aconselham a esperar investigações em curso.

— O Vitor é um cara egocêntrico e vaidoso e mistura essa vaidade com um desejo muito grande de justiça — diz o ator ao GLOBO. — Ele chega a essa cidade de fronteira achando que vai mudar o esquema que vigorou durante mais de 30 anos, de corrupção e de contrabando, da noite pro dia. Com o tempo, percebe que o buraco é mais embaixo e passa a ouvir as pessoas que estão lá há mais tempo e conhecem o esquema, antes de tomar algumas das decisões precipitadas que culminaram nos principais conflitos do filme.

Contracenam com Solano a atriz Paolla Oliveira, no papel da promotora Alice, e o ator Eduardo Galvão, como o policial federal Elton. É o triângulo virtuoso — e amoroso — que se une para combater o crime na região. O elenco traz ainda a participação de Chico Diaz, que interpreta o mafioso Gomez, chefão do esquema de contrabando e tráfico de drogas que impera na região. O personagem de Diaz representa o lado obscuro do local, que amealha alianças por meio do medo, da intimidação e do achaque.

— O Gomez determina a lei naquele lugar há mais de 30 anos. De repente, chega o juiz Vitor com a lei de Brasília e quer impô-la, uma lei nacional, para fazer justiça. Claro que os métodos do personagem do Chico para fazer valer a sua lei não são convencionais. Ele enfrenta a lei de Brasília, e isso causa um prejuízo enorme para o governo. É atrás desse tipo de justiça que o Vitor vai. A cidade da fronteira está tão entrelaçada com o crime que é difícil ver quem é mocinho e quem é bandido — diz Solano.

“Em nome da lei” busca discutir os limites da ética e moral nas diferentes esferas da sociedade brasileira, além de mostrar como a corrupção mina as principais instituições do país. Para o ator, o filme é também sobre essas fronteiras éticas que precisam ser ultrapassadas:

— Nossas vidas estão tão misturadas com a corrupção e com os jeitinhos brasileiros que naturalizamos esses comportamentos. Então, nesses 30 anos você tem uma cidade inteira misturada com a corrupção. Como diz a Alice, quase 80% das pessoas são envolvidas direta ou indiretamente com o crime. E é errado culpar essas pessoas. O Gomez tem a lógica dele, e o juiz Vitor também. Não é um mocinho perfeito, é um anti-herói. E o vilão também não é perfeito, é um antibandido, sei lá.

Com cinco filmes no currículo e mais um em produção, a comédia romântica “Talvez uma história de amor”, Solano ainda reage como se estivesse conhecendo um meio novo:

— Cinema pra mim é uma coisa muito nova e diferente de tudo. Ainda mais um filme de ação, que é uma coisa inédita. Tem essa mágica, porque depois vai pra mão de montadores etc. A gente não sabe muito bem como vai ficar. É bonito, mas é novo.
Oriundo do teatro, o ator ganhou projeção na TV com Félix, o complexo personagem da novela global “Viver a vida” (2009-2010). Na nova novela de época das 23h, “Liberdade, liberdade”, uma ficção sobre o período em que viveu Tiradentes, ele faz o papel de José Maria Rubião:

— É um supervilão — diz ele, que ainda ostenta as suíças do personagem. — O Félix era um cara que não escondia nada, nem quando ele estava fragilizado. O Rubião é um cara que esconde tudo. Ele passa por cima até da lei de Portugal. Faz o que muito político faz, fica tirando o corpo fora. E faz o que bem entende como intendente da cidade, que equivale ao prefeito com muito mais poderes, numa época que não existia a burocracia que existe hoje.

Além disso, Solano fez uma participação na releitura do humorístico “Escolinha do professor Raimundo”. Escalado inicialmente para fazer o papel de Ptolomeu, ele acabou fazendo o Zé Bonitinho, de Jorge Loredo.

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Por Bruno Vieira | Reprodução Site O Globo

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