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[Especial] Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo (1985)

A intenção seria uma tentativa de dar um “novo começo” e estabelecer um novo vilão, um outro personagem que assumisse a máscara de Jason!

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Existem coisas no mundo do cinema que são peculiares aos filmes de horror. Talvez a mais proeminente e a mais escrachada dentre todas sejam a quantidade absurda de continuações nas franquias, como o filme Pânico 4 satiriza tão bem. E por serem tão numerosas seus fãs acabam tornando cada uma um micro-universo paralelo com seus filmes preferidos e aqueles em que é melhor esquecer do que viu.

Em se tratando de Sexta-Feira 13 em todas as suas instalações temos diversos altos e muitos baixos, contudo nenhum tão baixo quanto a tosquíssima parte 5, subtitulada Um Novo Começo… E olha que eu conheço gente que tem um certo guilty pleasure pelas partes 8 e 9, mas que praticamente abominam este aqui. Mas voltando ao assunto (e não vou me poupar em conter Spoilers aqui) o subtítulo “Um Novo Começo” a princípio se justifica: não é o nosso amigo Jason Voorhees ou algum parente próximo quem executa a matança, porém uma pessoa comum, um psicopata sem dons sobrenaturais. Como nem tudo são flores ao fim das contas é só mais um slasher com todos os elementos que tornaram a série um “clássico“, porém tão mal executado, tão pobre de roteiro, tão inexpressivo na violência e tão exagerado nos estereótipos que me questiono até o por quê de sua realização.

Forçando muito, eu até entendo um pouco de boa vontade nas motivações que levaram a realização deste filme e se colocarmos na ponta do lápis poderia ser algo interessante: em 1985, Sexta-feira 13 era o principal representante de um gênero absolutamente popular no cinema na época. Uma franquia já estabelecida com 4 produções em 5 anos, o mesmo assassino em três delas, mas que foi “morto” no último filme, concretizando um desejo do produtor Frank Mancuso Jr., que queria se livrar de Jason e dos filmes de terror, pois já estava ficando estigmatizado pelo seu envolvimento com a franquia. Frank G. Mancuso, seu pai, não pensava assim… CEO da Paramout Pictures na época, achava que deixar o interesse esfriar seria perder uma oportunidade de faturar ainda mais: “Simples, o público ainda continuava querendo ver estes filmes. Então até eles pararem de vir assistir, porque não continuar a fazer mais“, declarou.

A solução seria uma adequada tentativa de dar um “novo começo” e estabelecer um novo vilão, um outro personagem que assumisse a máscara de Jason e minimamente dar uma arejada na história central, e mais do que isso, até colocar um tom de “Whodunit” para criar mais mistério e suspense do que um slasher comum, lembrando vagamente o primeiro filme… Como 20 anos depois foi feito com sucesso nos filmes da franquia Jogos Mortais, por exemplo. Só que cabe observar que a mitologia de Jigsaw possui algo que a família Voorhees nunca teve: ligações profundas entre suas partes, personagens secundários bem desenvolvidos e uma trama central que prende além da violência.

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Assim é claro que entre intenções e a realização há um longo, looooooongo caminho e os envolvidos pegaram o atalho mais fácil e acabaram por irritar quem um dia gostou da série. Como o público cativo era dinheiro fácil no bolso dos produtores e no cofre da Paramount a porquice falou mais alto: A menor distância de tempo no lançamento entre partes de toda a franquia (344 dias), especialmente para uma sequência não planejada pelos realizadores, somado com um orçamento menor (US$ 2,2 milhões, 600 mil a menos que a parte 3), um roteiro escrito a 6 mãos em tempo recorde, nenhum nome expressivo no elenco e um diretor com nenhum compromisso com a franquia…estava na cara que muita coisa ia dar errado.

O filme abre com um jovem Tommy Jarvis (Corey Feldman reprisando o papel, mas só nesta cena devido a conflitos de agenda na filmagem de Os Goonies) em um cemitério improvisado numa noite de tempestade. Ele se oculta nos arbustos quando dois vândalos, Neil e Les, começam a escavar o cadáver de Jason Voorhees. Nunca fica certo o motivo, contudo neste filme é padrão termo que ignorar certas coisas e simplesmente aceitar que isto é importante de alguma forma para os personagens… Enfim, aberto o caixão do defunto, Jason convenientemente enterrado com máscara de hockey e um facão ao lado se levanta do túmulo e mata os ladrões de túmulo antes de avançar para cima do garoto.

Tommy (agora John Shepherd) acorda sobressaltado dentro de uma ambulância – nada passou de um pesadelo. O rapaz crescido está em uma ambulância sendo transferido para uma espécie de clínica psiquiatrica nos arredores de Crystal Lake, sofrendo de alucinações devido ao seu trauma pelo seu envolvimento passado com Jason.

São menos de 15 minutos de filme e percebemos como tudo está errado a partir daqui: o tal “instituto psiquiátrico” chamada Pinehurst Halfway House não passa de uma fazenda sem muros, cercas e, por Deus, nem enfermeiros o lugar tem… O “staff” é limitado pelo psiquiatra Dr. Matt Letter (Richard Young, que aparece no começo de Indiana Jones e a Última Cruzada dando o famoso chapéu ao jovem Indy), uma mulher chamada Pam Roberts (Melanie Kinnaman) que não encontrei função alguma, o zelador e cozinheiro George (Vernon Washington) e o neto Reggie (Shavar Ross).

Se o lugar parece inadequado para manter pacientes potencialmente perigosos com disturbios mentais, e se eu dissesse que um deles recebe um machado de lenha para cortar madeira? É assim que a ação começa: Vic (Mark Venturini) começa a ser perturbado pelo gordinho Joey (Dominick Brascia) e ele é tão mala fazendo suas gordices que Vic surta e picota o rapaz no machado (pelo bem do público ele dura menos que aquela outra praga de gordinho da parte 3). O Xerife (Marco St. John) é chamado e ao invés de caçar a licença do lugar, só prende Vic e chama os paramédicos para levar os restos mortais do garoto. Roy Burns (Dick Wieand) olha o corpo e faz uma cara tão feia que ninguém no cinema mais duvida que ele vai ser o assassino, hehe…

Neste interim Tommy está se fazendo de difícil; não se adapta bem com os outros estereotipados pacientes e suas alucinações parecem ser cada vez mais frequentes. Na mesma noite dois punks indo para uma festa acabam mortos por um “novo Jason” e, logo, todo mundo que parece respirar perto de Pinehurst morre nas mãos do assassino… E não é exagero, TODO MUNDO MESMO! O roteiro de Martin Kitrosser, David Cohen e do diretor Danny Steinmann lançam mão do código de conduta dos slashers até de forma exagerada: usou droga? Morreu! Transou? Morreu! Olhou alguém transar? Morreu! Pensou em transar? Morreu! Saiu pra dar uma cagada? Morreu! É um caipira feio? Adivinha? Morre também!

As mortes são tão frequentes e sucessivas que qualquer tentativa de colocar suspense na expectativa de quem é o assassino cai por terra, mesmo a implicação de que talvez Tommy seja quem pirou de vez não se sustenta, pois o roteiro não explora mais do que suas alucinações na trama e a polícia não parece estar nem aí também. No fim das contas a obviedade prevalece na perseguição final, em quem sobrevive, na revelação do assassino (Roy, claro) e após o Xerife dar sua explicação (fuleira) para porque raios Roy despirocou e quis matar metade de Crystal Lake em vez de só Vic (Joey era filho do paramédico), um pequeno desfecho surpresa brinda quem aguentou a bagaceira até aqui… A boa notícia é que o final é bom, a má é que você precisou esperar insuportáveis 106 minutos para vê-la e a ideia não foi aproveitada na continuação.

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A direção de Steinman (que havia dirigido Ruas Violentas com Linda Blair e depois deste aqui desapareceu no ar) é no piloto automático, cheia de sustos falsos (além do “susto do gato” tem um “susto do coelho“, só pra citar dois) e arrastada até dizer chega. Ver uma das pacientes fazendo a dança do robô por longos minutos me fez clamar para Jason chegar logo e terminar o serviço… Apesar da contagem de corpos alta até para os padrões da série (22 no total) a violência quase toda é off-screen e do assassino pouco se vê a não ser as mãos (como se precisasse… Ele usa MÁSCARA, cazzo!), o desenvolvimento dos personagens dá lugar a reforço de estereótipos – também pudera, o elenco é péssimo e qualquer pingo de veracidade é mera coincidência. Isto agregado a rombos de roteiro, desafios a lógica, besteiras sem tamanho e um punhado de diálogos de quinta categoria… Numa situação real eu correria mais de Jason se ele estivesse me perseguindo com uma fita de “Um Novo Começo” ao invés de seu indefectível facão.

Boca do Inferno

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