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[Especial] Ring 2 – O Chamado (1999)

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O sucesso imediato de Ring: O Chamado não foi nenhuma surpresa para os realizadores japoneses da obra, já que a primeira adaptação do livro de terror de Kôji Suzuki, o filme para televisão Ring: Kanzenban tivera um bom desempenho à época, o que, inclusive, motivou um mangá e, é claro, os longa-metragens posteriores. Surfando no sucesso do primeiro filme, uma sequência foi logo produzida, sendo lançada no ano posterior, ignorando totalmente Rasen, a continuação já feita e liberada junto com o filme original. Em 1999 estreou Ring 2: O Chamado, que, dessa vez, não chega a adaptar o segundo romance da série de Suzuki, utilizando apenas alguns elementos desse.

Pouco tempo após os eventos de Ring – O Chamado, Mai Takano (Miki Nakatani), assistente do professor Ryûji Takayama (Hiroyuki Sanada) está à procura de Reiko Asakawa (Nanako Matsushima), protagonista do primeiro filme, que desaparecera há pouco tempo. Uma investigação prontamente é iniciada para descobrir o mistério por trás da misteriosa fita de vídeo que mata que assisti-la após sete dias e Takano deseja, acima de tudo, salvar a vida do filho de Asakawa, que acredita estar em perigo. Dessa forma procede a trama da obra, tendo Sadako como uma eminência parda durante toda a projeção, por mais que apareça muito brevemente em poucas ocasiões.

Apesar de contar com o mesmo roteirista e diretor que seu antecessor, Ringu 2 é um filme essencialmente diferente daquele que o precedeu. Embora ainda estejamos falando de uma narrativa que aborda as questões psicológicas de seus personagens, favorecendo a criação de uma atmosfera e não apenas o sangue jorrando em tela e sustos com uma câmera tremida, o longa se diferencia por colocar uma certa distância da personagem principal com a famigerada fita de vídeo. Em momento algum chegamos a ver o curta-metragem assombroso em sua totalidade e a narrativa não mais gira em torno de uma corrida contra o tempo como fora no primeiro filme – um esforço louvável do roteiro para não apenas repetir a fórmula.

Essa tentativa, contudo, acaba sendo um tiro pela culatra, visto que a trama fica demasiadamente confusa conforme progredimos e em momento algum é deixado claro o objetivo da protagonista. Durante maior parte da projeção não sabemos ao certo o que ela quer, provocando um nítido problema de ritmo na obra, que quebra totalmente nossa imersão, visto que nos vemos cansados de assistir essa continuação que rapidamente se estabelece em um patamar muito inferior ao original.

Com isso, toda a tensa atmosfera que fora construída em Ringu acaba se perdendo, dando mais a impressão de que estamos diante de um drama do que de qualquer outra coisa e mesmo esse drama não é firmado em momento algum, visto que não a construção de Takano ao longo da narrativa é praticamente inexistente. Ela simplesmente está ali presente por mera conveniência do roteiro, que certamente intencionava trazer o máximo de personagens do primeiro filme quanto fosse possível. Tudo piora com alguns acontecimentos que não fazem o menor sentido e são apenas inseridos de uma hora para a outra, como o atropelamento de um personagem que parece ser vigorosamente ignorado nas sequências posteriores.

Devo dizer que as únicas cenas que conseguem causar um frio na espinha são as que remetem diretamente ao primeiro longa-metragem, utilizando filtros que tornam a imagem em preto e branco ou muito perto disso. Somente aqui sentimos, de fato, a ameaça representada por Sadako, o que, infelizmente, não se mantém conforme avançamos no filme. Mesmo a trilha pontual, que se saíra tão bem no anterior, não consegue ter a metade de sua eficácia aqui, nos fazendo perdurar por essa experiência com uma desconfortável apatia.

Dito isso, Ring 2: O Chamado soa como uma típica sequência feita às pressas, com um roteiro redigido sem a menor dedicação, desperdiçando inúmeras boas ideias introduzidas no primeiro filme. Ironicamente, Rasen, que fora praticamente esquecido, constitui uma continuação muito superior de Ringu, que consegue se diferenciar ao mesmo tempo que envolve o espectador de maneiras totalmente diferentes. A aqui comentada, por sua vez, falha nesse quesito, se tornando facilmente dispensável a não ser por aqueles realmente apaixonados por essa história, que desejam experimentar o máximo dela.

Reprodução: Plano Crítico

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