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[Crítica] XXX – Reativado (2017)

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O próprio Vin Diesel disse que realizou o novo xXx por querer se divertir no set. Feliz é quem pode gastar milhões para realizar um longa-metragem de grande porte para ser seu brinquedo. Como um garoto mimado, o ator hollywoodiano constrói um playground em torno de tudo o que mais lhe dá prazer em cena, e isso não é necessariamente algo bom.

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Um filme construído inteiramente como um pretexto de diversão, e apenas isso, não pode se sustentar sozinho. Estar diante de xXx: Reativado é como estar à frente de uma brincadeira de adolescente, se fosse feita por uma criança poderia haver alguma graça, mas como é feito por alguém com uma virtual maturidade, aquilo parece uma pura e simples piada sem graça. Diante dessa diversão adolescente regada a muito dinheiro e testosterona resta a condição de um filme que em momento algum se leva a sério.

Assim, xXx: Reativado é um filme que assume a todo o momento essa sua falta de lógica, começando pela cena introdutória com Samuel L. Jackson convocando Neymar Jr. para figurar no seu esquadrão de elite. Nessa carta de abertura é como se o longa alertasse e convidasse o espectador a participar de seu estilo um tanto quanto canastrão de ser, em que um jogador está lá mais para divertir do que para servir de alguma função narrativa. Dessa forma, a película seguirá por esse caminho meio sem nexo e visando apenas a diversão durante toda sua duração.

xXx: The Return of Xander Cage

É desnecessário tentar entender quais são os rumos da história, ou tentar achar lógica, por exemplo, no fato de um dos parceiros de missão do protagonista ser um DJ. Vin Diesel como Xander Cage deve resgatar um aparelho tecnológico roubado da sede da inteligência americana, mas isso não passa também de mais um pretexto para colocar o herói do filme nas mais absurdas situações.

xXx: Reativado possui o tempo todo esse ritmo exagerado, quase como se fosse uma máquina de videogame arcade, que tenta te surpreender a cada fase que avança para que sempre haja uma ficha sendo depositada na máquina. O longa concebe sequências de ação absurdas com impressionante apuro técnico, personagens que aparecem resgatando figuras de filmes anteriores, utiliza todo tipo de esportes radicais, música pop, intertextos estilizados caracterizando todos os personagens, numa sequência de malabarismos para se tornar atrativo. Mesmo visando sempre dialogar com um público mais juvenil, o que poderia se tornar um prazer pelo exercício de diversão torna-se cansativo. xXx: Reativado fica à mercê das fantasias de Vin Diesel, e logo nota-se que o astro não é tão imaginativo assim.

xXx: Return of Xander Cage

Dessa maneira, as desculpas esfarrapadas que não servem a uma narrativa maior, mas apenas para colocar o ator em mais uma cena de pancadaria vão cansando aos poucos e nem o maior dos malabarismos surpreende. Sem objetivo, xXx: Reativado torna-se um carrossel de virilidade em plena puberdade; se a ação não funciona o longa concentra-se na figura de seu astro, o que concede ao longa um enormidade de frases de efeitos, que se dá primeira vez a canalhice gera alguma risada, na milésima tira a paciência de qualquer espectador. E se a gag cômica em forma de frase de efeito também não dá certo, resta apenas a apelação sexual. A brincadeira juvenil de Vin Diesel está completa.

O que pode parecer uma simples problematização é na verdade bem sério. Se xXx: Reativado diz muito como Vin Diesel se diverte e entende o mundo a seu redor, sua compreensão do sexo oposto chega a ser assustadora. No longa o personagem (e o próprio ator) é o centro de um universo feminino, em que todas as mulheres estão ali simplesmente para servi-lo, enquanto ele ostenta seu corpo musculoso para a câmera. O filme enxerga todo corpo feminino como um simples objeto a ser escancarado para as telas assim como é servido para Diesel.

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Isso não ocorre somente com as figurantes sempre com roupas minúsculas, como na cena que um harém satisfaz o Diesel quando uma antiga amante não pode atendê-lo, mas também no elenco de apoio em que todas as mulheres tem uma caidinha pelo personagem, e mesmo lutando e enfrentado os bandidos elas são sempre representadas como um esteriótipo fetichizado, por exemplo, a figura da latina caliente, ou da geek depravada, revelando mais uma vez que a mente desse filme ainda não saiu da puberdade.

Nas canalhices de Vin Diesel e companhia a que mais agrada é realmente a participação de Neymar (que não é herói, muito menos ator). E se o jogador que tem apenas meia dúzia de falas é uma das melhores coisas do longa isso demonstra que xXx: Reativado, como uma brincadeira juvenil moderna, só serve para gerar alguns memes, e eles nem teriam a cara de Vin Diesel e sim de Neymar. Parece que o parque de diversões de Vin Diesel agrada somente a si próprio.

Reprodução: Crítica por Giovanni Rizzo para o site Observatório do Cinema.

 

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